Eu sinto que agora o tempo voltou a ter uma duração constante, como se as horas tivessem voltado a correr de forma linear, e tudo voltou a ser como antes do caos que explodiu em 2020. As horas, antes distorcidas pela angústia e incerteza, voltam a se alinhar, como peças de um quebra-cabeça que, aos poucos, vai reencontrando seu lugar. Finalmente anos depois, como uma ferida que cicatriza com o tempo, as marcas dos traumas ainda estão aqui, mas, pelo menos, agora eu consigo falar sobre isso! Sobre como foi horrível perder pessoas que eu amava de forma abrupta, e o processo de encontrar a mim mesma em um momento de solidão profunda onde precisei ter forças para apenas existir, e fazer algo que inspira meu coração a continuar vivendo, foram dias em que a mera existência se tornou um ato de resistência, um esforço contínuo para encontrar forças onde parecia não haver nenhuma. Mas, o que antes era um grito silencioso, agora encontra voz. A possibilidade de falar sobre a dor, de compartilhar a experiência de aprender a gostar de SER, e a transformar as cicatrizes em arte.
A percepção do tempo varia de acordo com seu estado de consciência por isso no momento que estava vivendo aquele desespero parecia que as horas se esticavam, como gelo cristalizado no tempo-espaço eu sentia que não havia mais tempo para nada, pois o constante medo da morte, e a eminente certeza de uma tragédia mundial me fazia não conseguir falar sobre o que estava vivendo, só conseguia tocar violão, cantar e chorar de desespero, eu só queria fazer arte e expressar minha vontade de viver e tentando apenas existir eu comecei a me reconectar com meus sonhos, descobrindo que cada hora é um presente da vida, e aproveitando cada minuto para me tornar alguém melhor pra mim mesma, sendo a minha melhor cia. Tendo melhores escolhas eu compreendi, que tudo passa mas a vida sempre continua, como um presente infinitamente rica em novas experiências, em oportunidades de crescimento, em momentos de amor e beleza. Cada instante, antes encarado como uma ameaça, tornou-se um ato de celebração da própria existência. E a certeza que tudo que eu buscava nas estrelas já existia dentro de mim como um universo de possibilidades, foi a chave pra entender que a única coisa ruim em estar sozinha é não consegui passar adiante as coisas que aprendi, mas agora compartilhar isso é como criar uma conexão entre esses universos que mesmo tão distintos podem se conectar por algo bom que eu possa transmitir pra sua vida, algum sentimento de esperança.
Nunca pare de Sonhar!
xx
Lerilay

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